Carlson Gracie Jr

Entrevista com Carlson Gracie Jr

Carlson Gracie Jr. trabalha para resgatar história do pai e dar sequência a seu legado

por: PVT | @portaldovt

Radicado em Chicago, EUA, Carlson Gracie Jr., está no Brasil para dar sequência a uma série de projetos com vistas a resgatar a história construída por seu pai, que segundo ele foi esquecida ao longo do tempo e atualmente é desconhecida das novas gerações. Entre esses projetos está incluído um documentário sobre a vida e a obra do saudoso Carlson, falecido em 2006 aos 72 anos de idade.

“O pessoal escuta falar, mas não sabe muito bem”, destacou o faixa-preta de 49 anos em bate-papo com o PVT. “A garotada acha que está obsoleto, que foi do passado e agora é a nova geração. É uma opinião, mas minha opinião é completamente diferente. Tudo vem de um princípio, de uma base, de uma fundação, de uma estrutura inicial. Meu pai foi um grande desenvolvedor do esporte, ele que criou essa grande rivalidade que motivou todo mundo a treinar e melhorar. Nossa equipe sempre esteve no topo e isso fez com que as ouras equipes trabalhassem forte para alcançar o nosso nível e essa desenvoltura de trabalho ajudou o esporte a crescer. Hoje isso não é muito reconhecido”.

Junior, como é chamado, não está imbuído apenas em resgatar a história, mas também em dar sequência ao legado de Carlson. Além de trabalhar na restruturação da equipe que durante os anos 80 e 90 foi considerada a melhor do mundo, ele também se dedica a encaminhar os netos de Carlson – seu filho, de 11 anos, e seus dois sobrinhos gêmeos, de 10, filhos de sua irmã – no Jiu-Jitsu.

“O (neto) que parece realmente com a cara do meu pai não gosta muito de Jiu-Jitsu, mas é um casca-grossa natural. O outro gosta. Meu filho já começou a competir, já teve uma medalha de ouro, duas de prata e algumas de bronze. A gente conversa e ele fala: ‘papai, eu faço o que eu posso e estou tentando dar o melhor de mim’. Eu apoio ele, sem muita pressão, porque esse é o destino da vida dele. É como foi na minha vida. Tudo o que aconteceu na minha vida, desde o dia em que eu nasci até hoje, tudo caiu na minha mão sem eu ter escolha: ser Gracie, ter que lutar, ser filho do maior lutador, do melhor treinador. E a mesma coisa aconteceu quando o meu pai faleceu. Me deparei com a situação onde eu tive que liderar uma equipe de alto padrão de técnica e conhecimento. Foi tudo muito rápido e eu demorei um tempo para digerir isso tudo e trabalhar em cima”, comparou. “Agora eu estou tentando pouco a pouco trabalhar com o pessoal para me ajudar a treinar os meninos. Sabe como é, treinar o filho é muito difícil. O filho fica emocionado… eu mesmo tive aula com o mestre Pinduka, treinei com o Cássio Cardoso… não foi diretamente com o meu pai, mas através da tutela do meu pai. Eu estou tentando fazer a mesma coisa: preparar professores para treinar o meu filho. É muito difícil, porque quando ele perde na minha frente, ele chora; se eu não estiver olhando, ele não chora”.

 

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